quinta-feira, 15 de junho de 2017

Michael Heinrich na UFMG: A Atualidade de 'O Capital' (2)

Aqui está a íntegra da conferência sobre 'A Atualidade de O Capital', proferida pelo Professor Michael Heinrich no dia 26/05/17, durante as comemorações dos 90 anos da Universidade Federal de Minas Gerais e dos 150 anos de publicação do livro I de O Capital.




 
Aproveito a oportunidade para agradecer a todos que estiveram presentes e, sobretudo, aos colegas da UFMG que com seu trabalho tornaram possível a realização deste evento.
#ufmg90anos

sábado, 27 de maio de 2017

Michael Heinrich na UFMG: A Atualidade de 'O Capital' (1)

Michael Heinrich apresentou ontem uma conferência sobre A Atualidade de 'O Capital' nas comemorações dos 90 anos da Universidade Federal de Minas Gerais.



A conferência foi um sucesso absoluto tanto pela excelência da apresentação como pela participação do público, que exigiu que abríssemos um segundo auditório para receber as cerca de 250 pessoas que vieram assistir.

Vocês podem encontrar mais informações nesta página. Relevem, por favor, alguns equívocos pontuais na tradução de conceitos no texto. Eles serão corrigidos posteriormente, mas a matéria permite ter uma boa ideia do que foi discutido. O vídeo integral da apresentação estará disponível brevemente no site da UFMG.

Fica aqui meu agradecimento aos que compareceram e, especialmente, a Michael Heinrich, Sofia Lalopoulou e todos (foram muitos!) que contribuíram para que o evento pudesse se realizar.

Fiquei contente!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Conferência de Michael Heinrich na UFMG

O Professor Michael Heinrich, um dos mais renomados intérpretes contemporâneos do pensamento de Marx, estará na Universidade Federal de Minas Gerais nesta semana para proferir uma das conferências do ciclo UFMG, 90: desafios contemporâneos. O tema de sua apresentação será "A Atualidade de O Capital". O evento é parte da comemoração dos 90 anos da nossa Universidade, bem como dos 150 anos de publicação da obra de Marx.

Heinrich é um dos responsáveis pela edição da Marx-Engels-Gesamtausgabe, a edição histórico-crítica das obras e manuscritos de Marx e Engels. É editor da revista Prokla - Zeitschrift für kritische Sozialwissenschaft  e autor de livros como Die Wissenschaft vom Wert (A ciência do valor) e Kritik der politischen Ökonomie. Eine Einführung (Uma introdução à crítica da economia política), que ainda são pouco conhecidos no Brasil. Atualmente, dedica-se à redação de uma biografia intelectual de Marx cujo primeiro volume deverá ser publicado simultaneamente em alemão, francês, inglês e português em 2018.

A conferência vai ser proferida em inglês e contará com tradução simultânea. Vai acontecer na sexta-feira, 26/05, às 11h, no auditório 1 da FACE.


Conferência de Michael Heinrich na UFMG (sexta, 26/05, 11h)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O Capital de Marx depois da MEGA2

A Fundação Rosa Luxemburgo organizou em janeiro deste ano uma conferência comemorativa dos 150 anos de publicação do primeiro volume de O Capital. Entre as apresentações realizadas no evento, inclui-se uma plaestra proferida por Michael Heinrich sobre a recepção de O Capital depois da publicação dos volumes da segunda seção da nova Marx-Engels-Gesamtausgabe, a MEGA2.

Michael Heirinch, que visitará o Brasil em 2017, é um dos expoentes da chamada Neue Marx-Lektüre e autor de diversos livros sobre a obra de Marx, entre os quais Die Wissenschaft vom Wert. Die Marxsche Kritik der politischen Ökonomie zwischen wissenschaftlicher Revolution und klassischer Tradition, cuja tradução inglesa deve ser lançada neste ano, e uma consagrada introdução a leitura d'O Capital, já traduzida para o espanhol e o inglês. Atualmente, dedica-se a preparação de uma nova biografia de Marx, prevista para três volumes, dos quais o primeiro será lançado em 2018.

O tema da apresentação de Heinrich - as revisões e controvérsias sobre a interpretação do pensamento de Marx após a publicação de textos inéditos pela MEGA2 - foi abordado em um artigo que publiquei recentemente e que pode ajudar a compreender o contexto destas discussões.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Socialismo ou barbárie

Na última semana, postei um texto escrito por Rosdolsky em que ele retoma a famosa expressão "socialismo ou barbárie". Rosdolsky atribui a origem dessa divisa a Engels. Ao fazê-lo, provavelmente ele estava apenas seguindo Rosa Luxemburgo, que popularizou o slogan na famosa Brochura Junius, um texto escrito na prisão, em 1915, e publicado em 1916. Naquele texto, Rosa afirmava:
“Friedrich Engels disse uma vez: a sociedade burguesa encontra-se perante um dilema - ou a passagem ao socialismo ou regressão à barbárie (...) Hoje, encontramo-nos, exatamente como Friedrich Engels previu há uma geração, 40 anos atrás, perante a escolha: ou triunfo do imperialismo e decadência de toda a civilização (...) ou vitória do socialismo...”
Rosa Luxemburgo (1871-1919)
A verdadeira origem dessa expressão, no entanto, tem sido objeto de controvérsia. A maioria concorda em atribuí-la a Engels, mas há considerável incerteza e polêmica em torno de qual texto desse autor corresponderia exatamente àquele que Rosa fez referência.

Outros intérpretes, como é o caso de Michael Löwy, seguem a mesma tese, mas enfatizam o sentido inteiramente novo que a expressão ganhou nos escritos de Rosa.

Karl Kautsky (1854-1938)
Recentemente, porém, deparei com um texto de Ian Angus, que  argumenta que o verdadeiro autor do slogan seria, nem mais nem menos, Karl Kautsky.

O argumento de Angus é engenhoso e, apesar disso, pouco conhecido. Até onde sei, não houve nenhuma crítica frontal ou refutação de sua tese, ao contrário, ela encontrou uma acolhida favorável entre alguns dos mais importantes estudiosos do período. Como o próprio Angus registra, seu comentário é parte de um movimento de releitura e reavaliação da influência e importância do Kautsky, inclusive quanto sua relação com Lenin. É uma das coisas curiosas de lidar com história das ideias, essa possibilidade de, com o tempo, redescobrir aquilo que no passado devia soar óbvio mas, por alguma razão, ficou esquecido ou oculto para os que vivem em outro contexto. Fica o registro.


terça-feira, 19 de julho de 2016

Roman Rosdolsky (1898-1967)

Roman Rosdolsky nasceu há exatos 118 anos, em 19 de julho de 1898. Nasceu em Lvov, que à época era parte do Império Austro-Húngaro e, hoje, uma cidade da Ucrânia. Foi, ao lado de Isaak Rubin, um dos mais importantes intérpretes da obra econômica de Marx.

João Antonio de Paula escreveu um artigo que eu tive o prazer de publicar em Nova Economia e que é a melhor informação biográfica sobre Rosdolsky disponível em português.


Numa memória escrita em 1956 sobre os anos em que foi prisioneiro em Auschwitz, Rosdolsky conta o seguinte diálogo, que é esclarecedor de sua compreensão do socialismo, que continua tão atual:

"Why do I write about this? Why reopen old wounds? Let me just recall one small episode. It was in the camp, on Sunday, after lunch. A group of prisoners were lying on their bunks and talking about the end of the war, which they expected was approaching. A young Pole, Kazik, turned to an older prisoner, whom everyone called “the professor,” and asked him: “Professor, what will happen to Auschwitz after the war?”

“What do you think should happen? answered “the professor.” “We’ll go home.”

“Don’t talk nonsense, professor,” said Kazik. “No one here will get out alive.”

“That’s true,” said the professor. “But, still, the living should not abandon hope [words of the Polish poet Juliusz Stowacki]! And as for Auschwitz itself, the new Poland will build a great museum here and for years delegations from all of Europe will visit it. On every stone, on every path, they’ll lay a wreath: because each inch of this earth is soaked with blood. And later, when the barracks collapse, when the roads are overgrown with grass and when they have forgotten about us, there will be new and even worse wars, and even worse bestialities. Because humanity stands before two possibilities: either it comes up with a better social order or it perishes in barbarism and cannibalism.”

The unfortunate professor was only repeating the words already spoken by the socialist thinker Friedrich Engels 80 years ago. I had heard them several times before the war. But in the bunks of Auschwitz they sounded more real and more correct than ever in the past. And who today, after all the Auschwitz’s, Kolymas, and atom bombs, can doubt the truth of these words?"


Roman e Emily Rosdolsky.